terça-feira, 29 de abril de 2008

A Esperança como Dever

Texto baseado no capítulo homônimo do livro Cabeça de Porco – MV Bill, Celso Athayde e Luiz Eduardo Soares Parado aí, campeão, deixa eu te fazer uma pergunta: Você acredita no futuro do país? Crê que aquele cara que roubou seu tênis tem chance de se tornar um cidadão digno? Tem esperança de que as coisas vão melhorar e de que um político não corrupto assumirá nosso comando? De que o salário vai dar, que você vai superar, vai vencer e mudar? Se você respondeu que sim, campeão, está no caminho certo. “Por quê?”, perguntam os incrédulos pessimistas. “Não adianta ter esperança porque nada vai mudar. Temos que ser realistas!”, e essa frase torna a palavra “realista” um eufemismo para desesperado (entenda: sem esperança). A resposta é simples como um abraço: Quem tem esperança luta para que as coisas aconteçam. “Duvido!”, dirá um estudante de história baixo e gordinho no fim da sala: “Isso não ajuda em nada!”. A réplica vem com uma comparação que todos nós seremos fatalmente capazes de entender: Todos nós já jogamos algum esporte, ou ainda que nunca, já presenciamos partidas diversas e percebemos entre outras coisas o moral da equipe. Se nosso time está perdendo de quatro gols de diferença e eu desisti de vencer por completo, me entregando ao sabor de ser um saco de pancadas, meu time não pode mais contar comigo para a reação. Outrossim, (Uau! Que palavra linda!) se eu der meu sangue do início ao fim, sem me importar se perdemos de 100 gols ou se ganhamos pelo mesmo valor, serei um guerreiro da minha equipe trabalhando por ela até o fim. Desnecessário ressaltar que é mais digno o jogo disputado com garra até o término. Em todas as situações alguém precisará de nós para agirmos com raça e determinação, para darmos o melhor e para construirmos o futuro da nossa nação. Mas antes é preciso crer que podemos. Quem tenta pode ter uma chance em um milhão de conseguir, mas quem não tenta definitivamente não consegue. Nós podemos mudar sim, e a esperança e o otimismo não podem ser encarados como dons reservados a poucos, mas sim como dever e obrigação com a nossa pátria, nosso mundo e principalmente conosco mesmos. Se você acha que agüenta, campeão, se resta no seu peito um fugidio sopro de esperança, não deixa ele morrer. Vamos precisar muito disso. E se alguém tentar te derrubar, e dizer: “Você nunca vai mudar esse mundo sozinho!”, então tenha certeza de que tem pelo menos mais um contigo. _______________________
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Sonho impossível - Chico Buarque Sonhar mais um sonho impossível / Lutar quando é fácil ceder / Vencer o inimigo invencível / Negar quando a regra é vender/ Sofrer a tortura implacável / Romper a incabível prisão / Voar num limite improvável/ Tocar o inacessível chão / É minha lei, é minha questão/ Virar este mundo, cravar este chão / Não me importa saber / Se é terrível demais / Quantas guerras terei que vencer / Por um pouco de paz? / E amanhã se este chão que eu beijei/ For meu leito e perdão / Por saber que valeu / Delirar e morrer de paixão / E assim seja lá como for / Vai ter fim a infinita aflição / E o mundo vai ver uma flor / Brotar do impossível chão. / Sonhar mais um sonho impossível / Lutar quando é fácil ceder/

2 comentários:

Felipe disse...

Nossa! Gostei de você! Me identifiquei muito com o que você escreveu, só me dá licença de fazer um ajustezinho pro meu gosto???
É só uma palavrinha:
"E se alguém tentar te derrubar, e dizer: “Você nunca vai mudar esse mundo sozinho!”, então tenha certeza de que tem pelo menos mais DOIS contigo."
Me incluo nessa! To com você.

Muito oportuno você ter escrito sobre isso hoje, eu tava conversando com um amigo, muito pouco tempo antes de vir o seu texto, a conversa era por msn, pena ele ter saido antes de eu ler. Não preciso dizer quem é ele hahaha Ele com certeza vai vir aqui ler o que você escreveu, e quando ler o meu comentário vai saber que to falando dele (convido ele a dizer quem é quando ele ler hahahahaha). Tava conversando tentando dizer isso, esqueci de usar a palavra "esperança" na conversa, ia cair muito bem, depois se for o caso, escrevo sobre a conversa que a gente teve.

Quanto à música, dispensa comentários, Chico Buarque mil vezes gênio e mil vezes poeta.

Abraço

Felippe Miranda disse...

Texto lindo, cara!
Eu condordo com muito do que você dia no texto criatura mas até certo ponto. Eu realmente acredito do fundo do meu coração q um cara que mata ou atira uma criancinha do sexto andar não tenha recuperação, casos perdidos .
Quanto a lutar para melhorar não tenha dúvida de que milhões desistem frente ao desespero. Eu digo a você campeão, dá teu gás, faz a tua parte que assim ja rumamos para um caminho melhor.

Ah, a conversa que o cidadão aqui de cima teve foi cmg. Conversavamos sobre direita e esquerda, capitalismo e socialismo e sobre a espera de uma mudança. E esperança realmente caia bem ao assunto.

Forte abraço!

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