sábado, 24 de maio de 2008

Revendo conceitos.

Ô semaninha hein campeão! Primeiro, morreu Zélia Gattai, depois Edevair Faria, pai do Romário, e depois o senador Jefferson Péres. O mais engraçado é que o enterro que mais causou comoção popular foi a morte de seu Edevair. Gostaria de saber porquê. Cabe ressaltar, que quando se falava: "A Zélia Gattai morreu", muita gente perguntava: "Quem é essa?" e alguns mais informados perguntavam: "Ela era casada com quem mesmo?" A resposta: Zélia Gattai foi uma das grandes escritoras desse país, casada com um dos maiores escritores, Jorge Amado. O problema é a falta de conhecimento literário do Brasileiro. Na morte de Jefférson Peres, a mesma coisa, ninguém sabia quem era, alguns já ouviram falar, mas ninguém sabe que Jefférson Peres foi um grande homem na política nacional e era o atual líder do PDT do Senado. Agora, me impressionei com o que aconteceu com a morte do pai de Romário. Todos choraram a morte dele. No enterro não houve nenhuma privacidade. E agora eu que pergunto: "Quem é este senhor?" Me dirão que eu deveria ficar triste, porque morreu o homem que deu seu filho ao Brasil e este ganhou uma Copa para nós. Me recuso a isso. Fico triste sim, como ficaria com a morte de qualquer homem, mas jamais por esse motivo. Chegamos ao absurdo de ver pessoas se aglomerando sobre túmulos e caindo em covas no cemitério. Patético. Mas o que leva as pessoas a terem essas reações distintas? Falta de conhecimento literário? Falta de conhecimento político? Falta de vergonha na cara? Karl Marx afirmava que a religião era o ópio do povo. Ultimamente, é mais fácil afirmar que a televisão é o ópio do povo. O enterro do pai de Romário se torna mais importante que a morte de uma intelectual ou de um senador. Que país é esse?

terça-feira, 13 de maio de 2008

Especialistas em coisa nenhuma

Bom dia, campeão! O assunto de hoje são as pessoas (entre elas se inclui quem se vos dirige) que aparentemente tem sacadas boas e conhecem um bocado de várias coisas, mas no fundo no fundo não sabem absolutamente nada. Na verdade, nossa discussão é sobre a formação do conhecimento, mas esse exemplo de pessoa-verborrágica-aparentemente-genial-que-não-sabe-nadica-de-nada é perfeito para uma análisezinha. Existem pessoas que adoram falar de tudo; que opinam do aborto à escalação do seu time, do tratamento de uma doença aos problemas da SUA vida amorosa. Um fantástico exemplo é o Jô Soares, um apresentador e jornalista inteligentíssimo, genial, com inúmeras habilidades mas que cisma em achar que sabe mais do que qualquer um que ele entrevista. São pessoas capazes de ler a sinopse do livro e conseguir resumir a história pára qualquer um – o que é uma qualidade somenos. Por outro lado, vivemos em uma realidade em que a especialização é uma necessidade e regra. Cursamos o mestrado e doutorado para aprender sobre os nervinhos da asa daquela libélula rara – algo mais específico, é difícil. Temos contato com várias matérias para enfim decidir por uma, que se afunila, afunila e resulta nos nossos estudos aprofundados. Bem, como diria um amigo, a especialização é necessária, mas para o filósofo ela é um crime. Como assim? Bem, todo mundo já está cansado de separar as palavrinha Filosofia e encontrar algo como amigo do conhecimento, amante da sabedoria ou sei lá o que. Isso porque o filósofo é aquele que efetivamente busca saber o máximo possível da realidade para entendê-la. Você acha que Sócrates falava só de sociologia? Putz... Ele dá opinião sobre TUDO que se possa imaginar. Aliás, quase tudo encontra uma porcentagem de suas bases em Platão e Aristóteles. O fato é que não dá pra entender profundamente psicologia sem biologia e sociologia, matemática sem filosofia, física sem química e por sua vez sem matemática ou filosofia, lingüística sem sociologia/biologia/história/psicologia e por aí vai. A formação do verdadeiro conhecimento não se dá em uma área só. Tampouco se dá com o estudo de uma ínfima parte de tudo. Bem, eu sou claramente de humanas e tenho um bloqueio com exatas... Mas dentro de humanas eu preciso criar verginha na cara e aprender o que eu puder. Aí vêm as considerações finais: É para isso que a escola DEVERIA servir, para nos dar condições de aprender de tudo um pouco. Mas nós, na condição de adolescentes com baixa auto-estima e comportamento de grupo não damos a mínima para isso tudo, encarando o colégio como um inferno pré-universitário. Bem, é difícil para criaturas no nosso nível de maturidade compreenderem (compreenderem de fato: falar é uma coisa, vivenciar é outra) isso tudo. Uma professora de literatura me disse uma vez que depois dos 25 anos percebeu a importância da química. Mas relembrar nunca é demais. Quem sabe a gente não descobre essa importância a tempo de aproveitar?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Brigar pra quê?

Rivalidades à parte, nesse fim de semana foram decididos diversos campeões estaduais pelo país e alguns campeões nacionais na Europa. Mas meu maior objetivo ao escrever aqui, campeão, não é falar do que aconteceu dentro de campo, mas sim do que aconteceu fora dele durante a comemoração dos títulos. Ao Flamengo, campeão no Rio de Janeiro, não faltaram motivos para, mais uma vez, zombar com o chororô do Botafogo. Obina, Léo Moura, Souza e Cristian repetiram o gesto já lançado por Souza durante a partida contra o Cienciano pela Libertadores da América. A diferença, é que agora o campeonato acabou. Souza naquele jogo comemorou precipitadamente, o que acirrou ainda mais a rivalidade entre as torcidas e incomodou o time do Botafogo, o que poderia ter tirado o título do Flamengo. Quanto à torcida, show. Show da torcida rubro-negra campeã e show também da torcida alvinegra. Enquanto o Botafogo ainda tinha chances, a torcida empurrou o time com o clássico: "E ninguém cala... esse nosso amor". Já a torcida do Flamengo embalou o time com "Eu sempre te amarei... Onde estiver estarei." e a nova "Vamos Flamengo". Em Minas, um campeonato já decidido no primeiro jogo, sagrou o Cruzeiro campeão. A torcida do Cruzeiro comemorou muito o título no ano do centenário do Atlético, cantando inclusive "Parabéns pra você" no estádio. No Sul, a torcida colorada mostrou que estava com o time mesmo após a derrota na primeira partida e lotou o Beira-Rio para empurrar o time para a histórica goleada por 8x1 em cima do Juventude. Mas a parte que eu quero narrar, campeão, vem de São Paulo. Parte essa que eu preferia não ter que narrar, mas preciso fazê-lo. O Palmeiras, depois de 12 anos, "saiu da fila", vencendo o Campeonato Paulista. Uma vitória linda no Palestra Itália, com 5x0 sobre a Ponte Preta, 3 gols de Alex Mineiro, que terminou artilheiro e consagração de Valdivia como o craque do campeonato. Os jogadores rasparam os cabelos como promessa. Até aí tudo bonito. O episódio triste fica por conta da torcida verde. Após o título, integrantes de uma torcida organizada palmeirense entraram em confronto com a PM por tentar invadir o Palestra Itália. Simplesmente não entendo. Os cariocas dirão que paulistas são bobos assim mesmo. E confesso, tenho sido obrigado cada vez mais a concordar. Embora desde já, afirmo, não são todos. Já perdi a conta de quantas vezes torcedores do Corinthians invadiram o gramado do Pacaembu e derrubaram alambrados em derrotas do time e também quantas vezes torcedores do Palmeiras já entraram em confronto com a PM. Fora o quebra-quebra que ocorre em toda a cidade quando os dois times se enfrentam ou enfrentam o São Paulo. O que leva esses torcedores a fazer isso? Pergunte a eles e lhe garanto que a resposta será: "Por amor ao Palmeiras." "Tudo pelo Corinthians". "Pelo Tricolor vale tudo". Que amor é esse? Sinceramente, isso não é forma de amor. Amor é aquele mostrado ao time empurrando durante o jogo, reclamando pacificamente quando o resultado não é satisfatório, mas nunca brigando. Essas atitudes já não são louváveis quando o time perde, que dirá durante uma conquista tão desejada pelos torcedores. Depois, o estádio é interditado e a torcida organizada fechada (o que tem sido cogitado pela PM) e não sabem porquê. Pelo fim da violência no futebol.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Aristóteles e Malhação

Aristóteles e Malhação Bom dia, campeão! No belo dia de hoje vamos conversar sobre a ligação aparentemente impossível entre as novelas que acompanhamos candidamente nas nossas tardes e noites e um grande pensador da Grécia Antiga: Aristóteles. Para quem não sabe, esse nosso companheiro discípulo de Platão foi um dos primeiros a discursar sobre literatura e teatro. Naquele tempo, entre os filósofos estava rolando uma história de que as paixões (os instintos desgovernados) eram a causa da ruína paulatina dos gregos – Se fosse assim, o Brasil teria durado 30 anos. Então cada um tentou “prevenir” isso a seu modo, e para Ari o teatro era um instrumento poderosíssimo. (Notem a minha intimidade com o cara) Como assim? Bem, o teatro servia para purgar os sentimentos e paixões do povo grego, por meio do que eles chamavam de cathársis (catarse). O ator é alguém que pode viver milhares de vidas, enquanto estamos presos a uma só. Quando vou assistir aos espetáculos, entrego ao ator todo o direito de ser eu, porque me identifico muito com o que faz. Logo, todas as vontades, desejos reprimidos e necessidades do espectador são momentaneamente sanados ao ver o personagem executando-a. Bom, vocês não entenderam porcaria nenhuma e estão achando que eu fiquei maluco. É por isso que vamos agora falar de novela: Quando vemos o mocinho e a mocinha que ficam juntos até o décimo capítulo da novela separados, rezamos com todo nosso coração para que terminem juntos – mesmo sabendo que isso VAI acontecer. Torcemos para que o vilão tenha o final que merece, para que o homem esforçado consiga melhorar de vida e para que a menininha doente consiga seu transplante porque muitas vezes isso não acontece na vida real, e vendo isso na tela nos sentimos gratos e felizes. Prender a Nazaré mostra que a justiça vence. A Clara e o Henrique ficarem juntos mostram que o amor triunfa. A personagem principal da malhação ganhar um pai novo ou um grupo de sem-terras conseguir um lar dá asas à esperança. Mas a vida real é diferente. Os conflitos aqui são distintos, com soluções que não tem nada a ver com televisão. Não adianta eu ficar feliz porque algo na TV atendeu minhas expectativas; se há algo errado comigo, é só seguir a lógica mais simples para saber que vou voltar a ter problemas. A causa permanece incólume, seja um problema no trabalho, uma frustração íntima ou ódio do presidente. Nos anos das ditaduras militares na América Latina o futebol foi o grande dominador das massas. Aqui, a os gritos de socorro foram abafados pela glória da copa de 70. Em países como Argentina e Colômbia, a transferência moral para os ombros dos jogadores foi tamanha que aqui e acolá alguns foram mortos por torcedores que não suportavam perder. Suspeito que não era isso que queria Aristóteles há uns 2500 anos atrás. Em vez de purgar tanto nossas frustrações a ponto de nos livrar de pensar sobre elas não é um papel louvável, mas perigoso. Vocês podem achar que estou exagerando porque isso não acontece com você, mas é real. Como diz uma menina na propaganda da Globo: “Último capítulo de novela é uma coisa que pára o Brasil” – E quando tudo se resolve e o espectador fica em paz porque o bem venceu. Escolhemos falar de novelas porque é mais fácil e porque, atualmente, é uma indústria de repetições, mas nos afastamos da realidade com futebol, livros, filmes, joguinhos... O fato é que não podemos nos afastar, satisfazer e ficar por isso mesmo. O afastamento do real é fantástico quando dá forças para voltar-se a ela com vontade de mudar. A realidade também é boa, mas precisa de nós para ser o que merecemos dela. Refletir, campeão. O mundo sente falta disso. – Texto inspirado em uma aula do professor Fiorese. Plágio é crime, cite suas fontes (eheheheh)

sábado, 3 de maio de 2008

É o P.A.C, man!

E aí, campeão!

Com toda a certeza você já deve ter escutado a sigla P.A.C no telejornal, nas conversas do teu pai e nas revistas. O Programa de Aceleração do Crescimento é um conjunto de medidas criado pelo governo Lula pra, como o nome diz, fazer com que o crescimento do Brasil acelere.

O P.A.C é uma medida meio que revolucionária. Não nos efeitos, ainda não tem nada de grande pra por na conta do programa, a maioria das ações estão em obras, mas ele tem uma boa intenção. Como diversos setores da nossa infra-estrutura estão de chorar o governo resolveu tentar por ordem na casa. Alem de uma política de amplo uso ele ainda amansa a população que fica esperando as melhorias.

O investimento não virá todo dos cofres da república, mas sim de um misto entre iniciativa privada, estatais, empresas de capital misto (Tipo a Petrobrás que é meio estatal meio privada) e a Própria união. A maior parte vai para o setor energético, os setores de infra-estrutura, em segundo plano os mil e quinhentos programas assistencialistas do governo ficam e em terceiro, com um valor miserável, os setores de transporte como aeroportos, rodovias, portos e por aí vai.

O lado social do programa também é bem legal. Foi criado ano passado dentro do próprio P.A.C um sub-programa com um nome muito criativo chamado “P.A.C das crianças“ que tem uma política de enfrentamento da violência contra as crianças e adolescentes além da reforma daquelas casas de reabilitação que se encontram, em sua maioria, em estado de junta. Também tem um lance de empregar os jovens com mais de 18 em bancos estatais, como estagiários.

Além disso, o P.A.C é uma vitrine absurdamente extraordinariamente plus grande para o Governo. Se o der certo, e vai dando muito bem, obrigado, o presidente e seu partido terão no placar muitos pontos a favor. A ministra Dilma Roussef foi eleita mãe do programa, muito engenhosamente fazendo com que o único nome do PT que não foi atingido pela chuva de farofa tacada no ventilador quando investigaram o mensalão ganhe créditos e popularidade.

O governo, mais uma vez, não dá ponto sem nó e caminha para uma vitória desconcertante. Se tudo no P.A.C se realizar de fato (Tem umas obras meio faraônicas como o Trem-Bala e etc) o PT sairá com o peito estufado e com isso, até 2010, sacramentar mais quatro e quiçá oito anos (Porque, como já falei em artigos anteriores, se reeleger no Brasil é só questão de não ser incompetente) na cadeira-chefe do Palácio do Planalto. E um carpete novo, pro salto não arranhar o chão.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Censura diluída

A música tem uma grande participação no registro e na formação da identidade de um país. Felizes os músicos que conseguem cumprir o papel de participar dessa formação positivamente sem perder a preocupação com a estética. É difícil compor mantendo o equilíbrio entre o conteúdo e a estética, sendo ambos de qualidade.

Acho que é unânime considerar que o período histórico que a música teve mais participação na política foi durante a ditadura militar. E propositalmente foi o período em que a música mais foi censurada. Os músicos da época tinham que tentar driblar a censura para conseguir criticar, através da música, a ditadura, e a repressão que ela praticava, inclusive a própria censura. Músicos tinham suas obras vetadas, eram exilados ou até mortos por apresentar resistência. O governo não queria dar espaço a oposições, mas naquela época, felizmente, as pessoas, principalmente os estudantes, ainda tinham senso crítico, o que dificultava o trabalho do governo de alienar. Pena essa capacidade de questionar ter se perdido com o tempo.

Um aspecto lindo dessa resistência foi a interação entre estilos diferentes de música, provavelmente provocada pelo objetivo em comum: a liberdade. Essa interação facilitou a mobilização do povo, porque os públicos-alvos de cada estilo musical eram tão variados quanto sua sonoridade. Essa miscelânea cultural que é o Brasil se misturou um pouco, não na capa, mas no conteúdo, cada pedaço dessa mistura continuava caminhando independente dos outros, mas agora, na mesma direção.

Agora a gente pensa “Ainda bem que isso acabou”. Nem tanto. A censura ainda existe, mas agora é feita de uma maneira diluída, mais minuciosa, sutil. O alvo da censura na época da ditadura eram as “vozes”, se tirava as vozes de quem queria conscientizar, músicos, professores e artistas eram amordaçados. Mas com o tempo foi ficando mais difícil calar as vozes sem chamar atenção, os repressores foram aprendendo com os próprios erros e a censura mudou, fez uma plástica, ficou quase imperceptível a olho nu. Agora pra enxergar ela é preciso um instrumento que anda em falta nas vitrines dos shoppings e nos catálogos das grifes internacionais que é o senso crítico.

As vozes não precisam mais ser caladas, basta que os ouvidos sejam tapados, ou colocados a uma distância suficiente das vozes para que seus gritos sejam em vão. Durante a ditadura mesmo, filosofia e sociologia deixaram de fazer parte do currículo escolar, porque são matérias que estimulam o questionamento e a reflexão. De onde iria vir o estímulo que os estudantes precisam pra lutar? Aposto que não é da televisão. Daí em diante, basta encher a cabeça das pessoas de futilidade e alimentar o sentimento de competição e de individualismo. Pronto. Esse isolamento da população em relação ao conhecimento garante pão, circo e alienação pra todo mundo! Mas como o preço do pão tá em alta e as pessoas quase não tem tempo de diversão, com tanto trabalho, elas seguem consumindo só a alienação mesmo... e olhe lá!