terça-feira, 13 de maio de 2008

Especialistas em coisa nenhuma

Bom dia, campeão! O assunto de hoje são as pessoas (entre elas se inclui quem se vos dirige) que aparentemente tem sacadas boas e conhecem um bocado de várias coisas, mas no fundo no fundo não sabem absolutamente nada. Na verdade, nossa discussão é sobre a formação do conhecimento, mas esse exemplo de pessoa-verborrágica-aparentemente-genial-que-não-sabe-nadica-de-nada é perfeito para uma análisezinha. Existem pessoas que adoram falar de tudo; que opinam do aborto à escalação do seu time, do tratamento de uma doença aos problemas da SUA vida amorosa. Um fantástico exemplo é o Jô Soares, um apresentador e jornalista inteligentíssimo, genial, com inúmeras habilidades mas que cisma em achar que sabe mais do que qualquer um que ele entrevista. São pessoas capazes de ler a sinopse do livro e conseguir resumir a história pára qualquer um – o que é uma qualidade somenos. Por outro lado, vivemos em uma realidade em que a especialização é uma necessidade e regra. Cursamos o mestrado e doutorado para aprender sobre os nervinhos da asa daquela libélula rara – algo mais específico, é difícil. Temos contato com várias matérias para enfim decidir por uma, que se afunila, afunila e resulta nos nossos estudos aprofundados. Bem, como diria um amigo, a especialização é necessária, mas para o filósofo ela é um crime. Como assim? Bem, todo mundo já está cansado de separar as palavrinha Filosofia e encontrar algo como amigo do conhecimento, amante da sabedoria ou sei lá o que. Isso porque o filósofo é aquele que efetivamente busca saber o máximo possível da realidade para entendê-la. Você acha que Sócrates falava só de sociologia? Putz... Ele dá opinião sobre TUDO que se possa imaginar. Aliás, quase tudo encontra uma porcentagem de suas bases em Platão e Aristóteles. O fato é que não dá pra entender profundamente psicologia sem biologia e sociologia, matemática sem filosofia, física sem química e por sua vez sem matemática ou filosofia, lingüística sem sociologia/biologia/história/psicologia e por aí vai. A formação do verdadeiro conhecimento não se dá em uma área só. Tampouco se dá com o estudo de uma ínfima parte de tudo. Bem, eu sou claramente de humanas e tenho um bloqueio com exatas... Mas dentro de humanas eu preciso criar verginha na cara e aprender o que eu puder. Aí vêm as considerações finais: É para isso que a escola DEVERIA servir, para nos dar condições de aprender de tudo um pouco. Mas nós, na condição de adolescentes com baixa auto-estima e comportamento de grupo não damos a mínima para isso tudo, encarando o colégio como um inferno pré-universitário. Bem, é difícil para criaturas no nosso nível de maturidade compreenderem (compreenderem de fato: falar é uma coisa, vivenciar é outra) isso tudo. Uma professora de literatura me disse uma vez que depois dos 25 anos percebeu a importância da química. Mas relembrar nunca é demais. Quem sabe a gente não descobre essa importância a tempo de aproveitar?

1 comentários:

Raphaela disse...

a parte mais legal de ler é tentar advinhar quem escreveu
=]
quando eu li PUTZ
tive certeza que era você
=P