terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Los ojos de ellos

Traduzido do El Pais, no dia 26/01 Matéria original de JUAN ARIAS, correspondente do jornal no Rio de Janeiro - 23/01/2009 http://www.elpais.com/articulo/internacional/Lula/revolucionario/liberal/incombustible/elpepuint/20090123elpepuint_2/Tes ------------------------------------------------------------------------------------- Lula, um revolucionário liberal e a prova de fogo Lula, o filho do Brasil, documentário será dirigido por Fabio Barreto e que retratará desde seu nascimento até a morte de sua mãe em 1980, mostrará o futuro presidente do Brasil, o primeiro vindo da esquerda, como um menino muito pobre, que vendia sorvetes na rua. Foi forjado pelo sindicato. Respeitado pelos militares, que encarcerado, deixaram sair para o enterro de sua mãe. Já era um líder sindical indiscutível, temido e censurado ao mesmo tempo pela ditadura. Hoje, com seis anos de governo compridos, Lula ostenta um recorde de apoio popular de 83%, que fez com que ganhasse o apelido de "a prova de fogo", já que nem o terremoto da corrupção que caiu sobre seu governo no seu primeiro mandato, fazendo com que perdesse seus ministros mais próximos e colaboradores, nem a atual crise financeira mundial que chegou ao país com força do desemprego, tem conseguido arranhar sua imagem de revolucionário liberal e até agora tem silenciado a oposição. Sociólogos e psicólogos estudam o fenômeno Lula, que tem sido chamado de lulismo. Como conseguiu o antigo torneiro mecânico, sem estudos, colocar-se por cima de seu poderoso partido, o PT, que o levou ao poder e que se encontra sobre um eclipse, perante a força de seu líder?Hoje, o PT não é nada sem Lula, e, ao mesmo tempo, Lula segue necessitando da força política e social do partido que ele mesmo fundou. Ele necessitará (desse apoio) se quiser conseguir, em 2010, que Dilma Rousseff, ex-guerrilheira e sua ministra, hoje outra liberal, o suceda, a quem escolheu como possível substituta lulista. Isso apesar de Dilma não é a candidata que o partido elegeu e nunca foi uma líder ativa. Todavia, hoje o PT não sabe e nem pode decidir se não Lula. O ex-torneiro mecânico, que escandalizou em seu primeiro mandato ao afirmar que não era nem de esquerda nem de direita e sim um simples sindicalista, teve a genial intuição política de se apresentar como um revolucionário, ainda que vestido pelos melhores estilistas e com a babar afeitada, com um discurso fortemente social, colocando os problemas dos mais necessitados na mesa, sem os esconder, e ao mesmo tempo comportando-se como um liberal na economia, abrindo as portas do país aos investidores estrangeiros, reconstituindo a macroeconomia e pondo as contas em ordem.Esta última medida vai permitir perpassar à crise com menos perdas do que outros países na AL. Um estadista popular? Lula joga com o difícil equilíbrio de aparecer entre as massas de despossuídos como um presidente popular, amigo de colegas populistas, como Chávez e, ao mesmo tempo, consegue mostrar nos fóruns mundial a imagem de estadista firme de suas convicções neoliberais, que faz com que se reúnam entorno de sua figura tanto países pobres quanto ricos. Foi uma metamorfose difícil, que lhe valeu acusações de oportunismo e cinismo políticos. O certo é que nestes seis anos Lula manteve o Brasil sem inflação, com reservas formidáveis ao mesmo tempo em que doze milhões de famílias pobres são assistidas pelo Governo e, pela primeira vez no país, foi aberto o crédito aos mais favorecidos até os mais pobres, com apenas dez reais (menos de quatro euros) podem abrir uma conta no banco e ter um cartão de crédito, resgatando sua dignidade como pessoa. Parafraseando Kafka, Lula não tem escrúpulos por definir-se como uma "metamorfose ambulante", podendo ser a chave de seu êxito em um país tão poliédrico, mistura de raças, culturas e religiões como o Brasil.

Um comentário:

Felipe disse...

Até acho que ele é oportunista mesmo, mas não sei se outro estaria melhor. E com certeza, prefiro ele a um Alckmin da vida. Tenho curiosidade de como ele estaria se saindo se conseguisse assumir a presidência com os pensamentos mais radicais que ele tinha antes.

E mudando o foco da notícia um pouquinho, falar que abrir crédito aos mais pobres é resgatar sua dignidade como pessoa é forçar muito a barra. Tudo bem que supervalorizar o papel da economia na vida das pessoas tá na moda, mas cadê a sutilidade que os jornalistas normalmente têm?