Sociólogos e psicólogos estudam o fenômeno Lula, que tem sido chamado de lulismo. Como conseguiu o antigo torneiro mecânico, sem estudos, colocar-se por cima de seu poderoso partido, o PT, que o levou ao poder e que se encontra sobre um eclipse, perante a força de seu líder?Hoje, o PT não é nada sem Lula, e, ao mesmo tempo, Lula segue necessitando da força política e social do partido que ele mesmo fundou. Ele necessitará (desse apoio) se quiser conseguir, em 2010, que Dilma Rousseff, ex-guerrilheira e sua ministra, hoje outra liberal, o suceda, a quem escolheu como possível substituta lulista. Isso apesar de Dilma não é a candidata que o partido elegeu e nunca foi uma líder ativa. Todavia, hoje o PT não sabe e nem pode decidir se não Lula.
O ex-torneiro mecânico, que escandalizou em seu primeiro mandato ao afirmar que não era nem de esquerda nem de direita e sim um simples sindicalista, teve a genial intuição política de se apresentar como um revolucionário, ainda que vestido pelos melhores estilistas e com a babar afeitada, com um discurso fortemente social, colocando os problemas dos mais necessitados na mesa, sem os esconder, e ao mesmo tempo comportando-se como um liberal na economia, abrindo as portas do país aos investidores estrangeiros, reconstituindo a macroeconomia e pondo as contas em ordem.Esta última medida vai permitir perpassar à crise com menos perdas do que outros países na AL.
Um estadista popular? Lula joga com o difícil equilíbrio de aparecer entre as massas de despossuídos como um presidente popular, amigo de colegas populistas, como Chávez e, ao mesmo tempo, consegue mostrar nos fóruns mundial a imagem de estadista firme de suas convicções neoliberais, que faz com que se reúnam entorno de sua figura tanto países pobres quanto ricos.
Foi uma metamorfose difícil, que lhe valeu acusações de oportunismo e cinismo políticos. O certo é que nestes seis anos Lula manteve o Brasil sem inflação, com reservas formidáveis ao mesmo tempo em que doze milhões de famílias pobres são assistidas pelo Governo e, pela primeira vez no país, foi aberto o crédito aos mais favorecidos até os mais pobres, com apenas dez reais (menos de quatro euros) podem abrir uma conta no banco e ter um cartão de crédito, resgatando sua dignidade como pessoa. Parafraseando Kafka, Lula não tem escrúpulos por definir-se como uma "metamorfose ambulante", podendo ser a chave de seu êxito em um país tão poliédrico, mistura de raças, culturas e religiões como o Brasil.
Ninho de Cobras
1 mês atrás

1 comentários:
Até acho que ele é oportunista mesmo, mas não sei se outro estaria melhor. E com certeza, prefiro ele a um Alckmin da vida. Tenho curiosidade de como ele estaria se saindo se conseguisse assumir a presidência com os pensamentos mais radicais que ele tinha antes.
E mudando o foco da notícia um pouquinho, falar que abrir crédito aos mais pobres é resgatar sua dignidade como pessoa é forçar muito a barra. Tudo bem que supervalorizar o papel da economia na vida das pessoas tá na moda, mas cadê a sutilidade que os jornalistas normalmente têm?
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