sábado, 24 de janeiro de 2009

"É tudo nosso!"

E aí, campeão =)

Nacionalizar está definida no dicionário como “Ato de tornar nacional, naturalizar; encampar; dar caráter nacional.”.  Quando uma pessoa se nacionaliza em um país ela está deixando sua nacionalidade de origem e tornando-se cidadão de outro país. Esse ato não atinge somente pessoas, mas também empresas de diversos tipos. A diferença, quase sempre, está no modo que essa naturalização surge: quando é pessoa geralmente é por motivação profissional ou própria; quando é empresa é por motivação política ou ideológica.

O assunto me saltou a cabeça depois do presidente boliviano Evo Morales ter nacionalizado uma petroleira às vésperas do referendo que promoverá em seu país para definir sobre reeleição, petróleo e gás e coisas de casa civil. Esse ato foi criticado pela oposição como sendo apena político, para dar um caráter de revolução ao referendo e também para expor o nome do presidente já que a propaganda eleitoral é proibida lá em casos de referendo.

Se a atitude foi só de tom político, Evo acertou em cheio. A população boliviana que sempre viu seu país ser sitiado por estrangeiros e ter, acreditem ou não, campeões, a água que caia da chuva privatizada por empresas americanas, estava sedenta por ações, digamos, nacionais. É dar banana para o macaco. O presidente Evo adota medidas habilmente orquestradas para sempre tentar agradar a maioria do seu país, que são indígenas como seu presidente.

O problema da situação é que perante a comunidade internacional toda ação unilateral de estatização é considerada como uma queda de confiabilidade no governo e no país. Com isso, além de terem os EUA exclamando que tais ações são o fim do mundo, o eixo do mal, o curupira, terão o mundo com o pé atrás se tratando de relações políticas e principalmente econômicas.

O referendo deve ser aprovado com uma polpuda maioria, apesar de cinco das nove regiões, não tão populosas, porém mais desenvolvidas, da Bolívia serem contra. A população indígena votará em peso no “sim”, o que deve bastar para Morales. Sendo assim, o país encontra-se dividido entre governo e oposição, que trocam incessantes farpas diariamente, chegando a cansar quem acompanha as notícias de lá.

A nacionalização funciona, sem dúvida, como medida política. É o tempero especial, a pitada de nacionalismo que faltava no cotidiano boliviano. Mas o problema é que o gosto dessa mistura fica um pouco amargo, principalmente para os estrangeiros.

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